Este curta é produzido pela Netflix. Ao assistir o filme, a primeira impressão é de perplexidade e estarrecimento perante esta nova doença, a Síndrome da Resignação. Logo de cara nos deparamos com uma linda menina deitada em estado vegetativo, como a Bela Adormecida, presa a um sono que durará meses ou anos.
“Sua filha está deitada aqui como a Branca de Neve porque as coisas são terríveis demais ao seu redor. Esta é uma maneira de proteção. Ela está apenas esperando que a situação melhore.”
A frase inicial causa impacto e nos coloca a par do problema e nos deixa pensativos sobre a sua profundidade. Conforme os pais começam a contar sua história, nos deparamos com histórias de terríveis sofrimentos de refugiados na maioria da vezes perseguidos. É uma síndrome de grande impacto presente em diversas famílias da Suécia. A Suécia, tem uma porcentagem que varia entre 15% de imigrantes, muitos são originais da região dos Balcãs, do leste europeu, especificamente, de regiões que compunham a antiga União Soviética. Muitos destes refugiados e perseguidos políticos são ciganos ou yazidis (curdos), e outras minorias mais suscetíveis à máfia russa e a opressão corrupta estabelecida nestes governos que surgiram da ex-URSS.
Quase 100% das crianças afetadas são brancas e de origem europeia. Os primeiros relatos desta doença são da década de 90, tendo um verdadeiro estouro nos números no biênio de 2003-05 com o registro de 400 casos, tornando um problema de saúde pública. O que ocorre, exemplificando, uma família é perseguida em seu país de origem, foge e imigra para outro país, buscando refúgio, neste caso a Suécia que possuía antes (não mais) uma política de portas abertas a estes refugiados. Lá, na Suécia, são colocadas no status de asilo temporário, muitas vezes na chegada as famílias são detidas e ameaçadas, as crianças que fazem parte destas famílias veem e absorvem tudo o que ocorre a sua volta e com seus pais.
O trauma destas crianças está ligado à violência e não ao fato que possivelmente a família não irá conseguir o asilo político. Conforme relatado no documentário, estas crianças começam a se fechar, deixam de comer e de beber água, até ao momento em que caem em um sono profundo. Entram em uma espécie de coma, ficando alheias ao mundo externo, logo precisam ser alimentadas por sonda, massageadas, penteadas e todas as outras necessidades que um estado vegetativo impõe.
Os pais apesar de estarem emocionalmente em uma terra arrasada, pois a sua criança está resignada em si, precisam atender as necessidades impostas, além de contarem histórias, conversarem, dançarem, rirem com seus filhos para que estes saibam que eles estão lá. Estão ao lado fazendo de tudo para o seu bem-estar e ansiosamente aguardando que acordem deste sono profundo.
Hoje, há relatos desta doença na Austrália, apontada pelos Médicos Sem Fronteira (MSF), atingindo mais especificamente crianças imigrantes da ilha de Nauru. Quem quiser conhecer mais abaixo há dois links, um relato de uma médica brasileira do MSF que atuou em Nauru e o estudo sueco sobre a Síndrome de Resignação.
https://www.scielosp.org/article/sdeb/2019.v43n121/626-635/
https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnbeh.2016.00007/full
O autor do livro de Jó deixou claro que todo esse tormento foi provocado por Satanás (2:7). Esse ser angelical é retratado não apenas como o acusador de Jó, mas também como uma entidade sobrenatural que recebeu liberdade para executar seus planos malévolos, manipulando e controlando, dentro de certos limites, os fenômenos da natureza. Assim, mesmo sendo um ser criado, ele foi capaz de provocar desastres naturais (1:19), moléstias (2:7) e até imitar atos sobrenaturais que somente o Criador poderia executar (1:16; cf. 1Rs 18:20-40). (fonte: Revista Adventista)
O documentário em seus 40 min horroriza e te deixa curioso, te faz pensar sob a ótica de sermos mais empáticos, uma busca por sermos melhores. Não vivemos apenas em um círculo, há todo um mundo pessoas à nossa volta. Jesus nos alertou que “haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares” (Mt 24:7, ARC). A criação divina se tornou disfuncional após a queda de seus pais no Éden. As doenças, e consequentemente a morte física, resultam desse desequilíbrio. Então sejam doenças crônicas ou agudas, sejam pequenos surtos ou grandes pandemias de doenças infectocontagiosas, no fim todas elas apontam para a realidade do pecado do homem. Infelizmente veremos muitas doenças diferentes surgindo até Ele voltar.
Juan Heidrich

A Vida em Mim (Life Overtakes Me/De Apatiska Barnen), Suécia/EUA, 2019
Direção: John Haptas, Kristine Samuelson
Gênero: Documentário, curta
Duração: 40 min
Com: Henry Ascher, Nadja Hatem, Mikael Billing, Karl Sallin, Elizabeth Hultcrantz, Gellert Tamas, Anne-Liis von Knorring.
