Luto - A Dor de não se Despedir

 


“Mesmo sabendo que um dia a vida acaba, a gente nunca está preparado para perder alguém” - (Nicholas Sparks)

Frente a uma pandemia como a que estamos vivenciando, da COVID-19, se faz necessário ressignificar e se reinventar a forma de trabalho, estudar e de se relacionar com as pessoas. Também ocorrem mudanças na forma como lidamos com a morte e o luto. 

Entende-se que o luto é um “processo que ocorre imediatamente após a morte de alguém que amamos. Não é um sentimento único, mas sim um conjunto de sentimentos e emoções, que requer um tempo para serem digeridos e resolvidos, e que não pode ser apressado, cada um de nós tem um “tempo emocional” que deve ser respeitado”. 

É bem verdade que algumas pessoas não gostam de falar sobre morte. Alguns têm a crença de que falar sobre morte é, de certa forma, “chamar a morte para si”.

Mas o curioso paradoxo é que quando falamos de morte, falamos também de vida. Na visão da Logoterapia, a morte nos convoca à vida, a questionar e buscar viver as relações com as pessoas e com o mundo de forma mais significativa.

Nos relatos de familiares e/ou pacientes, em processo de morte, o que ouvimos, muitas vezes é um desejo de voltar no tempo e investir mais em seus relacionamentos, dedicar mais cuidado a si mesmo e ao outro, dizer mais que ama as pessoas.

 Mas por que deixar para pensar e desejar fazer isso, quando não se tem mais tempo?

Recebemos hoje a convocação para amar, cuidar, respeitar, perdoar e pedir perdão para quem está próximo. Planejamos o futuro, mas não temos o controle dele. Não existe problema em planejar, na verdade é importante fazer isso.  Porém, não temos certeza do que o futuro nos reserva. Mas, temos controle de como vivemos o presente.

Apesar de termos consciência de nossa finitude, não estamos definitivamente preparados para lidar com a morte. E quando essa é inevitável como vivenciamos esse processo? É evidente que qualquer causa de morte, gera um sofrimento, levando família e amigos a um processo de luto.

Sabemos que cada cultura, família tem um ritual de despedida da pessoa querida, que por algum motivo faleceu. Mesmo rituais de adoecimento, que gera uma mobilização na família, acabam mudando sua rotina para cuidar do doente.

Em casos de diagnóstico com o prognóstico ruim, a família muda sua rotina.  Na maioria dos casos, procura fazer visitas, estar mais presente, na tentativa de dar apoio, suporte e afeto.

Porém, em situação de pandemia, esse processo de cuidado e presença dos familiares é impedido. O adoecer e a morte tornam-se muito solitários. O paciente fica isolado, impossibilitado de receber visitas. Quando este vem a óbito, as cerimônias fúnebres e despedidas, em sua maioria, não acontecem, ou acontecem de forma muito restrita.

Portanto, mesmo o luto necessita ser ressignificado neste momento. Não deixar de ser vivenciado, mas ressignificado.

A impossibilidade de executar as cerimonias de despedias pode potencializar a tristeza,

Diante disso, somos convocados a crias novos rituais. Temos ouvido falar de profissionais da saúde que procuram encurtar a distância entre a família e o paciente isolado, por meio de chamadas de vídeos, áudios.  Outros rituais de despedidas tais como: escrever uma carta com tudo que gostaria de dizer; fazer uma oração; separar objetos significativos da pessoa falecida e fazer uma despedida simbólica e já ouvimos falar até mesmo velórios online .

Todavia, o importante é compreender que cada pessoa vai ter um tempo e uma resposta ao luto, em sua experiência ela pode encontrar a forma mais adequada para si. Sabendo que não precisa fazer isso sozinha, pode contar com a ajuda de profissional (psicólogo) qualificado para ajudar nesse processo.

Por: Wandeli Araújo