Tema 9 – O Encontro com o Chamado

Texto base: Mateus 9:9–13

Há encontros que nos perdoam. Há encontros que nos curam. E há encontros que nos chamam. O encontro de Jesus com Mateus é um desses. Aqui não vemos apenas alguém sendo aceito, mas alguém sendo convocado. Não apenas restaurado, mas enviado. O chamado de Mateus revela que a graça não termina no perdão; ela continua na missão. Cristo não salva pessoas para que permaneçam paradas. Ele as salva para que caminhem com Ele.

Mateus era um homem rejeitado. Não por causa de um erro pontual, mas por causa de uma profissão considerada traidora. Ele cobrava impostos para o império romano. Enriquecia às custas do próprio povo. Era visto como corrupto, impuro, indigno. A religião o havia excluído. A sociedade o havia rotulado. Mas Jesus o enxergou.

Um homem sentado no lugar errado

O texto diz que Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria. Esse detalhe é importante. Mateus não estava procurando Jesus. Estava trabalhando. Estava no lugar que simbolizava sua ruptura com o povo de Deus. Ele estava sentado. Estável. Acomodado. Provavelmente resignado com a vida que escolhera.

Cobradores de impostos eram evitados. Não participavam da vida religiosa. Não eram convidados para refeições piedosas. Eram considerados pecadores públicos. Mateus sabia disso. Ele havia trocado pertencimento por dinheiro. Aceitação por segurança financeira.

Ellen White descreve esse cenário afirmando: “Mateus fora excluído da sinagoga e tratado como pária” (O Desejado de Todas as Nações, p. 272).

Quantas pessoas hoje estão sentadas em lugares que não desejam mais, mas dos quais não conseguem sair. Lugares de culpa, de acomodação espiritual, de escolhas que pareciam seguras, mas que custaram a paz.

Jesus vê além do rótulo

O texto diz que Jesus viu Mateus. Esse verbo é carregado de significado. Não é um olhar casual. É um olhar que penetra. Um olhar que enxerga além da aparência. Além da reputação. Além da história.

A multidão via um traidor. Jesus via um discípulo. A religião via um pecador irrecuperável. Cristo via um evangelista. O sistema via alguém útil ao império. Jesus via alguém chamado para o Reino.

Ellen White afirma: “No coração de Mateus, Jesus viu uma alma que responderia ao chamado” (O Desejado de Todas as Nações, p. 273).

Esse é um princípio poderoso do evangelho. Cristo não nos chama por quem fomos, mas por quem Ele pode nos tornar. Ele não se limita ao passado. Ele enxerga o futuro que a graça pode construir.

O chamado simples e decisivo

Jesus diz apenas duas palavras: Segue-Me.

Não há sermão longo. Não há exigências prévias. Não há condições impostas. Há um convite direto. Um chamado claro. Um apelo pessoal.

E Mateus se levanta. Deixa tudo. Segue Jesus.

Esse detalhe é extraordinário. Mateus não pede tempo. Não negocia. Não adia. Ele se levanta imediatamente. O texto sugere uma decisão completa. Ele deixa a coletoria. Deixa a fonte de renda. Deixa a antiga identidade.

A graça chama para uma decisão. E decisões verdadeiras sempre envolvem renúncia. Não porque a salvação exija sacrifícios humanos, mas porque seguir Jesus implica mudança de direção.

Pesquisas na área de psicologia comportamental mostram que decisões transformadoras são tomadas quando há clareza de propósito. Mateus encontrou propósito naquele olhar e naquele chamado.

O banquete da graça

Em seguida, Mateus oferece um grande banquete em sua casa. Ele convida outros cobradores de impostos e pecadores. Esse gesto revela algo profundo. Quem encontra Jesus deseja que outros O conheçam. A graça recebida se transforma em convite.

Jesus se senta à mesa com pessoas rejeitadas. Come com pecadores. Conversa com excluídos. Isso escandaliza os fariseus. Eles perguntam: Por que come o vosso Mestre com publicanos e pecadores?

Essa pergunta revela uma teologia equivocada. Eles acreditavam que santidade era separação. Jesus revela que santidade é missão.

Ellen White comenta: “Cristo associava-Se aos pecadores não para participar de seus pecados, mas para salvá-los” (O Desejado de Todas as Nações, p. 274).

A mesa de Mateus se torna púlpito. A refeição se torna missão. A casa se torna espaço de graça.

O médico dos doentes

Jesus responde aos fariseus com uma declaração que resume o evangelho: Os sãos não precisam de médico, mas os doentes. E acrescenta: Não vim chamar justos, mas pecadores, ao arrependimento.

Essa frase não exclui os justos. Ela revela que ninguém é realmente justo por si mesmo. Alguns reconhecem sua doença espiritual. Outros a negam. Os primeiros correm para o Médico. Os segundos rejeitam o tratamento.

A graça é oferecida a todos, mas só é recebida por quem reconhece a própria necessidade.

Ellen White escreve: “Somente os que sentem sua necessidade buscam o Salvador” (Caminho a Cristo, p. 18).

Mateus sabia que precisava de Jesus. Os fariseus acreditavam que não.

O chamado que redefine identidade

Mateus deixa de ser conhecido como cobrador de impostos e passa a ser conhecido como apóstolo. Mais do que isso, torna-se escritor de um dos evangelhos. O homem que registrava impostos passa a registrar a vida de Cristo.

Esse detalhe é extraordinário. Deus usa habilidades redimidas. Nada se perde quando é colocado nas mãos de Cristo. O que era usado para exploração passa a ser usado para evangelização.

O evangelho de Mateus é profundamente organizado, lógico, estruturado. Reflete a mente de alguém acostumado a registros. A graça não apaga talentos. Ela os redireciona.

O custo do chamado

Seguir Jesus teve custo para Mateus. Ele perdeu segurança financeira. Perdeu status no sistema romano. Perdeu conforto. Mas ganhou algo infinitamente maior: propósito eterno.

O chamado de Cristo nunca é barato. Não porque Ele cobre algo, mas porque Ele oferece tudo. E quando Ele oferece tudo, não há como continuar vivendo da mesma forma.

Pesquisas indicam que pessoas que encontram propósito transcendente apresentam maior satisfação de vida do que aquelas focadas apenas em segurança material. Mateus trocou riqueza por significado. E nunca se arrependeu.

O chamado continua hoje

O encontro de Mateus com Jesus não é apenas histórico. É atual. Cristo continua passando por “coletorias” modernas. Escritórios. Casas. Rotinas. Ele continua olhando para pessoas que ninguém acredita. Continua chamando improváveis. Continua dizendo: Segue-Me.

Talvez você se veja como Mateus. Alguém marcado por escolhas erradas. Alguém rotulado. Alguém que acha que foi longe demais. Cristo vê além. Ele não pergunta onde você esteve. Ele pergunta se você quer segui-Lo agora.

Ellen White declara: “Não importa quão pecador seja o passado, Cristo chama para uma nova vida” (Parábolas de Jesus, p. 159).

Uma história real de chamado transformador

Há alguns anos, um homem chamado André trabalhava em um ambiente marcado por corrupção e desonestidade. Embora fosse membro de igreja, vivia dividido. Dizia: Eu sirvo a Deus no sábado, mas de segunda a sexta vivo outra coisa.

Durante uma série de estudos no evangelho de Mateus, ele se deparou com o chamado: Segue-Me. Aquela palavra o perseguiu por semanas. Até que ele entendeu que seguir Jesus exigia mudanças reais.

André decidiu deixar aquele ambiente. Perdeu renda. Perdeu estabilidade. Mas ganhou paz. Com o tempo, Deus abriu novas portas. Hoje, ele testemunha: O chamado de Cristo me custou segurança, mas me deu vida.

Esse é o chamado que transforma.

Apelo

Jesus continua chamando. Não apenas para crer. Mas para segui-Lo. Não apenas para receber perdão. Mas para viver em missão.

Talvez você esteja sentado em uma “coletoria” espiritual. Acomodado. Dividido. Sabendo que precisa mudar, mas adiando. Hoje Cristo passa, olha e chama.

Ele não pede perfeição. Pede disposição. Não exige passado limpo. Oferece futuro novo.

Se você deseja responder ao chamado, se sente que Cristo está lhe dizendo “segue-Me”, levante-se. Deixe o que precisa ser deixado. Caminhe com Ele.

O chamado ainda ecoa. A graça ainda alcança. A missão ainda continua.

Que este seja o seu encontro com o chamado de Jesus.