Texto base: Mateus 28:1–10, 16–20
O cristianismo não se sustenta sobre uma filosofia moral, nem sobre um sistema religioso, nem sobre tradições antigas. Ele se sustenta sobre um fato histórico e espiritual: Jesus Cristo ressuscitou. Se Cristo não vive, a fé é vazia, a esperança é ilusória e a missão é inútil. Mas se Ele vive, tudo muda. A ressurreição não é apenas o final glorioso da história de Jesus; é o começo da missão da igreja.
O encontro com o Cristo vivo transforma seguidores assustados em testemunhas corajosas. Transforma discípulos confusos em missionários comprometidos. Transforma uma fé trancada em portas fechadas em uma fé que atravessa o mundo. É isso que Mateus 28 nos apresenta: um Cristo ressuscitado que chama Seu povo não apenas para crer, mas para ir.
O túmulo vazio e o fim do medo
As mulheres vão ao sepulcro ainda de madrugada. Elas não vão esperando ressurreição. Vão esperando um corpo. Vão para chorar, não para celebrar. Isso revela que a fé delas ainda estava limitada pela dor e pela morte.
Mas o túmulo está vazio. Um anjo declara: Ele não está aqui; ressuscitou, como havia dito. Essa frase muda a história humana. A morte foi vencida. O poder do pecado foi quebrado. O inimigo foi derrotado.
Ellen White afirma: “A ressurreição de Cristo é a prova suprema de Sua divindade” (O Desejado de Todas as Nações, p. 785).
O medo que dominava os discípulos começa a ser substituído por esperança. A ressurreição não remove automaticamente todas as dúvidas, mas inaugura um novo tempo. Um tempo em que a fé não se apoia mais em promessas futuras apenas, mas em um fato consumado.
O encontro pessoal com o Cristo ressuscitado
Jesus encontra as mulheres no caminho. Ele não se manifesta primeiro aos líderes religiosos, nem aos governantes, nem aos teólogos. Ele Se revela a corações fiéis e humildes. Ele diz: Alegrai-vos. Depois diz: Não temais.
Essas duas palavras resumem o efeito da ressurreição. Alegria substitui o luto. Coragem substitui o medo.
Ellen White comenta: “Cristo saudou as mulheres com as mesmas palavras de paz que dirige hoje aos Seus seguidores” (O Desejado de Todas as Nações, p. 790).
A ressurreição não é apenas um evento para ser aceito intelectualmente. É um encontro para ser vivido. O Cristo vivo ainda se encontra com aqueles que O buscam sinceramente.
Discípulos entre dúvida e adoração
Quando os discípulos se encontram com Jesus na Galileia, o texto diz que alguns O adoraram, mas outros duvidaram. Esse detalhe é profundamente humano. A fé ainda estava em processo de amadurecimento.
E mesmo assim, Jesus confia a eles a maior missão já dada à humanidade. Ele não espera perfeição para enviar. Ele envia para aperfeiçoar. Ele não exige ausência de dúvidas. Ele chama para caminhar apesar delas.
Isso nos ensina que a missão não é privilégio dos prontos, mas responsabilidade dos alcançados.
Toda autoridade e toda missão
Jesus declara: Toda autoridade Me foi dada no céu e na terra. Essa afirmação é a base da missão. Não vamos em nosso nome. Não vamos em nossa força. Não vamos por mérito humano. Vamos porque Cristo reina.
A autoridade de Cristo é total. Sobre a morte, sobre o pecado, sobre a história, sobre a igreja. A missão não depende do poder humano, mas do senhorio de Cristo.
Ellen White escreve: “A autoridade de Cristo é a garantia do êxito da missão” (Atos dos Apóstolos, p. 29).
Isso muda a forma como encaramos o evangelismo. Não é um esforço humano tentando convencer o mundo. É um Cristo vivo alcançando pessoas por meio de Seus seguidores.
Ide e fazei discípulos
A missão é clara. Não é apenas ir. É fazer discípulos. Não é apenas converter. É formar. Não é apenas batizar. É ensinar a guardar tudo o que Cristo ordenou.
A igreja não existe para si mesma. Ela existe para o mundo. A fé que não se compartilha enfraquece. A esperança que não é anunciada se apaga. A igreja que não vive em missão perde o sentido de sua existência.
Pesquisas mostram que comunidades religiosas com forte engajamento missionário apresentam maior vitalidade espiritual interna. Missão não enfraquece a igreja. Missão fortalece a igreja.
Batizar e ensinar: graça e crescimento
O batismo representa a entrada na nova vida em Cristo. O ensino representa o crescimento contínuo nessa vida. A missão envolve decisão e discipulado. Começo e continuidade.
Ellen White destaca: “O trabalho do evangelho não termina com o batismo; ali apenas começa” (Evangelismo, p. 340).
Isso nos chama à responsabilidade. Não basta alcançar pessoas. É preciso caminhar com elas. Ensinar. Cuidar. Formar caráter à semelhança de Cristo.
A promessa da presença constante
Jesus encerra a comissão com uma promessa poderosa: Eis que estou convosco todos os dias, até à consumação do século.
Essa promessa sustenta a missão. Não estamos sozinhos. Não estamos desamparados. Não estamos abandonados. O Cristo ressuscitado caminha com Sua igreja.
Ellen White escreve: “A presença de Cristo é a força que sustenta Seu povo na missão” (O Desejado de Todas as Nações, p. 826).
A missão não é fácil. Envolve oposição, rejeição, cansaço. Mas envolve também a presença constante do Salvador.
Ressurreição e esperança ativa
A ressurreição não gera passividade. Gera ação. Não nos chama a esperar de braços cruzados. Nos chama a trabalhar enquanto esperamos. A esperança adventista não é escapismo. É compromisso com o mundo enquanto aguardamos a volta de Cristo.
A fé no Cristo vivo nos impede de desistir das pessoas. Nos impede de desistir da igreja. Nos impede de desistir da missão.
Uma história real de missão transformadora
Há alguns anos, uma pequena igreja adventista em uma cidade do interior decidiu orar especificamente para que Deus mostrasse como viver a missão de forma prática. Não tinham muitos recursos, nem grandes programas.
Começaram visitando casas, ouvindo histórias, orando com pessoas, ajudando famílias em necessidade. Com o tempo, pessoas começaram a frequentar os cultos. Não por propaganda, mas por relacionamento.
Uma senhora que nunca havia entrado em uma igreja disse: Eu senti que Jesus estava vivo quando vocês bateram à minha porta.
Hoje aquela igreja é conhecida não pelo tamanho, mas pelo impacto. Eles entenderam que o Cristo vivo continua indo ao encontro das pessoas por meio de Sua igreja.
A missão continua até hoje
O Cristo ressuscitado não mudou. A missão não mudou. O mundo continua precisando de esperança. Pessoas continuam presas ao medo, à culpa e à desesperança. A igreja continua sendo o instrumento escolhido por Deus.
Talvez você pense que não está preparado. Talvez se sinta pequeno. Talvez tenha dúvidas. Mas os discípulos também tinham. E mesmo assim, Jesus os enviou.
Apelo
Hoje o Cristo vivo se encontra com você. Ele venceu a morte. Ele reina. Ele chama.
Talvez sua fé esteja tímida. Talvez sua esperança esteja enfraquecida. Talvez sua experiência cristã esteja estagnada. O encontro com o Cristo vivo renova a fé e reacende a missão.
Jesus diz hoje: Ide. Não apenas para longe, mas para perto. Para sua casa. Seu trabalho. Sua cidade. Sua realidade.
Se você deseja renovar seu compromisso com Cristo e com a missão, se quer viver uma fé ativa, viva e comprometida, este é o seu encontro com o Cristo vivo.
Ele ressuscitou. Ele vive. E Ele envia.
Que a igreja não apenas celebre a ressurreição, mas viva a missão que dela nasce.
