Uma Verdade Que Não Cansa o Coração
Existem verdades que o tempo desgasta. Existem frases que a repetição esvazia. Mas há outras verdades que, quanto mais são proclamadas, mais profundamente ecoam dentro de nós. E uma dessas verdades é esta: Deus é bom.
Essa afirmação atravessa histórias, gerações e circunstâncias. Ela é sussurrada nos dias de paz e gritada nos dias de dor. Ela é a âncora do desesperado, o descanso do aflito, a melodia do grato, a esperança do pecador. Deus é bom. Não às vezes, não quando tudo dá certo, não quando merecemos. Deus é bom sempre.
E, no entanto, esta é uma das verdades mais desafiadoras da fé. Porque todos nós passamos por momentos em que a vida parece contradizer essa declaração. Doenças que chegam sem aviso. Portas que se fecham sem explicação. Pessoas que amamos e perdemos. Lutas que parecem não terminar. Sonhos que ficaram pelo caminho.
E diante disso, o coração humano se pergunta: se Deus é bom, por que isso aconteceu? Se Deus é bom, por que eu choro? Se Deus é bom, por que Ele permitiu?
Mas a bondade de Deus não é medida pelas circunstâncias; é revelada pelo caráter. Ela não é provada pela ausência de dor, mas pela presença de Deus em meio à dor. A bondade de Deus não é um sentimento; é uma realidade eterna. Não depende do que sentimos; depende de quem Ele é.
Por isso, hoje, vamos mergulhar nessa verdade: a bondade de Deus não se esgota, não retrocede e não depende de nós. Ela nos persegue. Ela nos sustenta. Ela nos transforma. E ela nos salva.
E quando compreendemos isso, nossa vida se enche de confiança, esperança e adoração. Porque tudo muda quando enxergamos a vida pela luz da bondade divina.
A Bondade de Deus é Constante Mesmo Quando a Vida Não É
O salmista declara no Salmo 23:6: “Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida.” Essa frase poderia facilmente ser lida rapidamente, mas ela contém uma revolução espiritual. Davi não diz que a bondade de Deus apareceria de vez em quando. Ele não diz que a bondade o acompanharia apenas em momentos bons. Ele declara que ela o seguiria todos os dias.
Todos os dias inclui os dias bons e os dias ruins. Inclui os dias de celebração e os dias de luto. Inclui os dias de vitória e os dias de fraqueza. Inclui os dias de fé firme e os dias de dúvidas profundas. Todos os dias significa que não existe um só amanhecer em que a bondade de Deus não esteja atuando na nossa direção.
A bondade de Deus é constante porque Deus é constante. Ela é imutável porque Ele é imutável. E essa constância é um antídoto contra o pessimismo, contra o medo, contra a ansiedade e contra as mentiras que o inimigo tenta plantar no coração.
Muitas vezes pensamos que Deus é bom quando percebemos sua ação. Mas a bondade de Deus não depende de percepção, depende de essência. Há momentos em que Deus está agindo poderosamente e nós nem percebemos. Há livramentos que Ele realizou e nós nem imaginamos. Há portas que Ele fechou que nos protegeram. Há atrasos que foram bênçãos. Há sofrimentos que nos moldaram. Há caminhos que pareceram longos demais, mas que estavam preparando algo maior.
A bondade de Deus não se manifesta apenas quando tudo vai bem. Na verdade, alguns dos momentos mais profundos de bondade divina acontecem justamente quando tudo parece desabar. É quando estamos no vale que descobrimos que a vara e o cajado nos consolam. É quando perdemos o controle que percebemos que Ele nunca o perdeu. É quando a dor aperta que o consolo se torna mais real. É quando a força acaba que a graça começa.
A vida não é constante. Mas Deus é. E essa é nossa esperança.
A Bondade de Deus Não Apenas Nos Acompanha; Ela Nos Persegue
Uma das imagens mais belas da Bíblia é a da bondade divina não como um simples acompanhamento, mas como uma perseguição graciosa. A palavra usada em Salmo 23:6 para “seguir” também pode significar “perseguir, correr atrás, seguir com intenção e propósito”.
Isso significa que Deus não é um espectador distante esperando que O busquemos. Ele é um Deus ativo, presente, envolvido, que corre atrás de nós. Ele nos persegue não para nos punir, mas para nos restaurar. Não para nos acusar, mas para nos salvar. Não para nos destruir, mas para nos encontrar onde estamos e nos levar onde precisamos estar.
Quantas vezes fugimos de Deus? Quantas vezes tentamos viver do nosso jeito, fazer nossas próprias escolhas, decidir nossos próprios caminhos? Quantas vezes abandonamos a oração, negligenciamos a Palavra, esfriamos na fé, nos distraímos com o mundo? E mesmo assim, a bondade de Deus nos encontrou.
Ela nos encontrou em momentos de queda. Nos encontrou na escuridão. Nos encontrou na rebeldia. Nos encontrou na dor. Nos encontrou quando achávamos que estávamos longe demais. Nos encontrou quando não tínhamos mais forças. Nos encontrou quando nem sabíamos que precisávamos ser encontrados.
A verdade é que, se estamos aqui hoje, é porque a bondade de Deus nos perseguiu até este momento. Ele correu atrás da nossa alma quando nós corríamos atrás de coisas menores. Ele não desistiu de nós quando desistimos de nós mesmos. Ele falou conosco quando nosso coração tentou se calar. Ele nos puxou de volta quando começamos a nos desviar. Ele nos segurou quando estávamos caindo.
E Ele ainda está perseguindo você. Hoje. Agora. Neste momento.
A Bondade de Deus Sustenta, Restaura e Transforma
A bondade de Deus não é apenas algo que sentimos; é algo que nos molda. Quando entendemos profundamente que Deus é bom, tudo começa a mudar dentro de nós. A culpa perde força. O medo perde voz. A ansiedade perde domínio. A esperança renasce. A fé cresce. A alma respira.
A bondade de Deus restaura áreas quebradas que nenhum esforço humano consegue remendar. Ela cura feridas que o tempo não cura. Ela renova forças quando todas as energias já se esgotaram. Ela acende luz onde havia escuridão. Ela desperta vida onde tudo parecia morto.
Jesus nos mostra isso repetidamente. Ele não apenas curava corpos; Ele restaurava histórias. Ele não apenas libertava oprimidos; Ele devolvia dignidade. Ele não apenas perdoava pecados; Ele transformava destinos.
Quando a mulher samaritana encontrou Jesus, encontrou a bondade de Deus que a viu, a ouviu, a entendeu e a transformou. Quando o paralítico desceu pelo telhado, encontrou a bondade de Deus que não apenas o curou fisicamente, mas perdoou seus pecados. Quando Pedro negou o Mestre, foi a bondade de Deus que o restaurou e o revestiu de propósito novamente.
A bondade de Deus não escolhe momentos fáceis para se manifestar. Ela brilha de forma extraordinária exatamente nos momentos difíceis. Porque é na fraqueza que vemos a força Dele. É na dor que sentimos a presença Dele. É na perda que ouvimos o consolo Dele. É na queda que experimentamos a graça Dele.
E quando a bondade de Deus nos toca, nunca mais somos os mesmos. Ela muda nossa maneira de viver, de relacionar, de servir, de amar, de planejar, de sonhar.
A Bondade de Deus Nos Conduz à Salvação
A maior expressão da bondade de Deus não está nos livramentos diários, nos milagres que vemos ou nas bênçãos que recebemos. A maior expressão da bondade divina está na cruz.
A cruz é a prova eterna de que Deus é bom. Mesmo quando o mundo não é. Mesmo quando nós não somos. Mesmo quando nada parece fazer sentido.
A cruz é a demonstração final de que a bondade de Deus é mais forte do que o pecado, mais profunda do que nossa culpa, mais poderosa do que nossa queda. A cruz diz que Deus não apenas nos suporta; Ele nos ama. Ele não apenas nos guia; Ele nos resgata. Ele não apenas nos observa; Ele nos perdoa.
Romanos 2:4 diz que a bondade de Deus nos leva ao arrependimento. Não é o medo que transforma. É a bondade. Não é a culpa que muda o coração. É a graça. Não é a condenação que liberta. É o amor.
A bondade de Deus não apenas acompanha nossa vida terrena. Ela tem um objetivo final: conduzir-nos à vida eterna. Conduzir-nos para perto de Cristo. Conduzir-nos para o céu. Conduzir-nos para o lar.
A bondade de Deus não quer apenas melhorar sua vida. Quer salvar sua alma.
Uma Vida Respondendo à Bondade de Deus
Se Deus é tão bom assim, então como vivemos em resposta a essa bondade? A resposta se resume a três palavras: gratidão, entrega e confiança.
Gratidão porque reconhecemos que tudo o que temos vem Dele. Gratidão porque sabemos que, mesmo quando não entendemos, Ele continua sendo bom. Gratidão porque percebemos que, se não fosse pela bondade de Deus, não estaríamos aqui.
Entrega porque entendemos que não há lugar mais seguro do que a vontade de Deus. A bondade Dele nos conduz ao altar. Nos chama para render o que seguramos. Nos chama para deixar ir o que nos prende. Nos chama para descansar no Seu plano.
Confiança porque sabemos que Ele nunca falhou e nunca falhará. Confiança porque mesmo quando não vemos a mão de Deus, confiamos no caráter de Deus. Confiança porque sabemos que o Deus que foi bom ontem continuará sendo bom amanhã.
Horatio Gates Spafford e a Canção Nascida da Dor
Nome: Horatio Gates Spafford
Lugar: Oceano Atlântico / Illinois – Estados Unidos
Data: 1873–1874
Horatio Gates Spafford era um advogado bem-sucedido e presbítero da Igreja Presbiteriana em Chicago, Estados Unidos, no século XIX. Ele era um homem de fé, ativo na igreja, conhecido por sua confiança em Deus e por sua vida cristã consistente.
Mas entre 1871 e 1873, sua vida foi atravessada por uma sequência devastadora de tragédias.
Em 1871, o Grande Incêndio de Chicago destruiu grande parte da cidade. Spafford perdeu praticamente todos os seus investimentos imobiliários. Ainda assim, ele permaneceu firme na fé, ajudando famílias necessitadas e reafirmando sua confiança em Deus.
Dois anos depois, em novembro de 1873, tentando dar descanso à família e reorganizar a vida, Spafford decidiu enviar sua esposa, Anna, e suas quatro filhas — Annie (11), Maggie (9), Bessie (5) e Tanetta (2) — em um navio rumo à Europa. Ele ficaria temporariamente em Chicago por causa de compromissos profissionais e viajaria depois.
O navio chamava-se SS Ville du Havre.
No dia 22 de novembro de 1873, no meio do Oceano Atlântico, o navio colidiu com outra embarcação e afundou em poucos minutos.
Mais de 200 pessoas morreram.
As quatro filhas de Spafford morreram afogadas.
Dias depois, sua esposa Anna foi resgatada inconsciente e levada à Europa. Assim que conseguiu escrever, enviou um telegrama ao marido com apenas duas palavras:
“Saved alone.”
(“Salva. Sozinha.”)
Quando Horatio recebeu a mensagem, ele soube imediatamente: havia perdido todas as suas filhas, de uma só vez.
Mesmo assim, ele embarcou para encontrar a esposa. Durante a travessia, o capitão do navio o chamou e disse:
“Senhor Spafford, este é aproximadamente o local onde o navio de suas filhas afundou.”
Ali, no meio do oceano, sem corpo para enterrar, sem explicações humanas, sem respostas imediatas, algo extraordinário aconteceu.
Horatio Spafford não amaldiçoou Deus.
Não abandonou a fé.
Não se revoltou contra o céu.
Ali mesmo, ele escreveu palavras que atravessariam gerações:
“Quando a paz, como um rio, minha alma envolver,
Ou quando a dor, como ondas do mar, me alcançar,
Seja qual for minha sorte, eu sei declarar:
Tudo bem com minha alma.”*
Esse poema se tornou o hino cristão conhecido mundialmente como “It Is Well with My Soul” (Em Português: “Sossegai” / “Tudo Bem com Minha Alma”).
Horatio Spafford não escreveu isso apesar da dor, mas no meio dela.
Ele não escreveu porque entendia o plano.
Ele escreveu porque conhecia o caráter de Deus.
Ele perdeu bens, perdeu sonhos, perdeu quatro filhas…
Mas não perdeu a certeza de que Deus continuava sendo bom.
Mais tarde, o casal teria outros filhos, inclusive um menino chamado Horatio Jr., que morreria ainda criança. Mesmo assim, eles dedicaram sua vida ao serviço cristão, fundando uma missão em Jerusalém conhecida como American Colony.
A Bondade de Deus Está Aqui
A bondade de Deus está aqui. Com você. Ao seu lado. Atrás de você. À sua frente. Dentro de você. Ela o trouxe até hoje. Ela o sustentará até amanhã. Ela o conduzirá até a eternidade.
Você não chegou aqui porque foi forte demais, sábio demais, fiel demais. Você chegou aqui porque Deus é bom demais.
A bondade Dele esteve no seu passado. Está no seu presente. E já está esperando por você no seu futuro.
Depois de tudo o que ouvimos hoje, fica claro que a bondade de Deus não é apenas uma ideia para ser entendida, é uma verdade para ser experimentada e celebrada.
Talvez você não consiga explicar tudo o que viveu. Talvez ainda existam perguntas sem resposta. Mas se você está aqui hoje, é porque a bondade de Deus o alcançou, o sustentou e o trouxe até este momento.
Agora, não vamos apenas falar sobre a bondade de Deus… vamos declarar. Vamos cantar aquilo que nossa alma sabe, mesmo quando a vida não explica.
Se puder, adore com o coração aberto. Se não conseguir cantar, adore com as lágrimas. Mas deixe essa verdade encher sua alma: Deus é bom, e a Sua bondade nos persegue todos os dias.
