Reavivados por Sua Palavra | Salmos 136

 

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Pr. Michelson Borges

Misericórdia sempiterna



“Deem graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque a Sua misericórdia dura para sempre.” Salmo 136:1

O Salmo 136 é um cântico de gratidão que ressalta a eternidade do amor de Deus. O salmista repete incansavelmente ao longo do salmo que “o Seu amor dura para sempre”, uma afirmação que nos recorda constantemente da natureza inabalável e perpétua do amor divino.

Nos versículos 5-9, o salmo destaca o poder criador de Deus, lembrando-nos de que Ele é o Criador de tudo o que existe. No entanto, mesmo nesse ato grandioso, a ênfase é colocada na eternidade de Seu amor. O Senhor não apenas criou o mundo, mas também o faz com um amor que transcende o tempo e não se desgasta com as eras.

O versículo 10 nos lembra de que, mesmo quando Deus intervém de forma drástica em nossa história, Ele o faz por amor. Suas ações não são caprichosas nem arbitrárias, mas são guiadas por Seu amor incondicional e eterno.

Os versículos 10-24 destacam o poder libertador de Deus ao longo da história do povo de Israel, desde o êxodo do Egito até a conquista da Terra Prometida. Novamente, a ênfase está na constância do amor divino que conduziu Seu povo à liberdade e à bênção.

O versículo 16 compara a jornada do povo de Deus no deserto à nossa própria jornada nesta vida. Assim como Ele os conduziu pelo deserto, nos guia em nossa jornada terrena, sempre com Seu amor eterno como nosso amparo.

Promessa: O Salmo reafirma o poder criador e libertador de Deus, lembrando que em qualquer circunstância Ele é amor. 

Comentário Blog Associação Geral

Ao estudarmos a estrutura e o conteúdo deste Salmo, podemos extrair algumas práticas que podem ser incorporadas a nossos cultos modernos:

1. O Salmo é participativo. Com a repetição, em cada verso, do refrão sobre o amor misericordioso de Deus, esta estrutura parece ter sido concebida de forma que a congregação pudesse facilmente cantá-la como resposta.

2. O Salmo usa a repetição. Do bebê aprendendo a falar ao adulto querendo memorizar um número importante, a repetição é um dos métodos de aprendizagem mais comumente usados. Depois de cantar este Salmo, não há dúvida de que cada adorador, do mais novo até o mais velho, saíam impressionados com a verdade de que “o amor de Deus permanece para sempre.” Embora a Bíblia advirta contra a repetição vã ou sem sentido, este Salmo ilustra como a repetição pode ser utilizada de uma forma positiva.

3. O Salmo conta uma história. Contar histórias é uma das melhores maneiras de transmitir emoção. E existe história melhor para contar do que um testemunho? Isto é exatamente o que os judeus fazem neste Salmo, ao contar como Deus os conduziu no passado.

Ao nos reunirmos para congregar utilizemos também alguns dos recursos de comunicação utilizados neste Salmo a fim de tornar mais significativo nosso culto de adoração a Deus.

Lori Futcher
Escritora e Editora
Cleveland, Tennessee, Estados Unidos

Reflexão - Heber Toth Armí

SALMO 136 – A misericórdia de Deus por nós é maior que nossa capacidade de compreendê-la. Sua graça é claramente revelada em nossa desgraça. Seus feitos generosos nos são outorgados sem nenhum merecimento.

Há, neste Salmo, quatro imperativos para louvar ao Senhor, que é bom, Deus dos deuses, Senhor dos senhores, e, Deus dos céus (vs. 1-3, 26). Entre os versículos 3 e 26 temos 22 razões para louvá-lO. Sim! Deus merece nosso louvor, porque…

1. …faz milagres (v. 4);
2. …formou o cosmo (v. 5);
3. …dispôs a terra sobre as águas (v. 6);
4. …encheu os céus de luz (v. 7);
5. …fez o sol para guardar o dia (v. 8);
6. …fez a Lua e as estrelas como guardiãs da noite (v. 9);
7. …abateu os primogênitos do Egito (v. 10);
8. …libertou Israel da opressão (v. 11);
9. …tomou conta de Israel com mão poderosa (v. 12);
10. …dividiu o Mar Vermelho (v. 13);
11. …conduziu Israel à seco pelo Mar Vermelho (v. 14);
12. …afogou o Faraó e seu exército no Mar Vermelho (v. 15);
13. …fez Seu povo marchar pelo deserto (v. 16);
14. …devastou vários reinos de todos os lados (v. 17);
15. …derrubou grandes reis (v. 18);
16. …destronou Seom, rei dos amorreus (v. 19);
17. …destronou Ogue, rei de Basã (v. 20);
18. …distribuiu o território dos inimigos como herança a Israel (v. 21);
19. …entregou a terra de volta a Israel depois do exílio (v. 22);
20. …se lembra de quando estamos caídos (v. 23);
21. …resgatou-nos de nossos inimigos (v. 24);
22. …cuida de cada um em tempos de necessidades (v. 25).

“Benignidade/misericórdia/amor do Senhor duram para sempre” aparecem 26 vezes neste Salmo, uma vez em cada verso. O maior ato de misericórdia no Universo foi demonstrado por Deus, ao dar Jesus para morrer por nós.

“Poderia o Senhor ter eliminado o pecador, destruindo-O totalmente; mas foi preferido o plano mais custoso… Cristo veio para manifestar o amor de Deus ao mundo, para atrair a Si o coração de todos os homens… O primeiro passo rumo da salvação é corresponder à atração do amor de Cristo” (Ellen G. White).

Como dura para sempre, hoje vamos usufruir da misericórdia de Deus e, louvá-lO por isso! – Heber Toth Armí.

Comentário Rosana Barros

Conforme o dicionário, misericórdia significa “Sentimento de pesar ou de caridade despertado pela infelicidade de outrem; piedade, compaixão”. Dentro deste contexto, podemos extrair uma lição tremenda sobre este atributo divino. Diante da nossa condição como pecadores, que não possuem em si mesmos merecimento algum do amor de Deus, a misericórdia divina é uma dádiva inigualável. O nosso Deus, “Senhor dos senhores” (v.3), “que com entendimento fez os céus” (v.5), “que estendeu a terra sobre as águas” (v.6), é O mesmo que convoca o Seu povo dos últimos dias: “adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Ap.14:7).

O Senhor Se compadece de nós justamente porque somos infelizes, somos miseráveis. Referindo-se à última igreja em Apocalipse, Cristo descreveu a sua condição, chamando-a, primeiramente de “infeliz” (Ap.3:17). Interessante que a descrição de Laodiceia até transmite a conotação de uma igreja que está feliz com o que é e com o que possui: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma” (Ap.3:17). Mas a primeira coisa que Jesus diz a respeito dela é: Você é infeliz!

Quando continuamos lendo o texto sobre a iludida igreja, percebemos que Jesus não estava condenando-a por causa de sua infelicidade, mas aconselhando, repreendendo e convidando para um relacionamento pessoal com Ele. Observe os versos seguintes e as palavras mais ricas em misericórdia: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, Comigo” (Ap.3:20). O nosso Criador deseja que aceitemos o Seu convite redentivo para, muito em breve, termos moradia no lar do “Deus dos céus” (v.26).

As misericórdias de Deus se renovam a cada manhã (Lm.3:23). A cada amanhecer, recebemos do Senhor o único remédio para a nossa infelicidade: as Suas misericórdias. Como membros da última igreja profética, somos chamados para a vitória. As “grandes maravilhas” (v.4) de Deus só serão realizadas nestes últimos dias na vida daqueles que reconhecem as misericórdias divinas e aceitam a Sua repreensão. Ele deseja nos tirar da condição de mornos “vomitáveis” (Ap.3:16) para a condição de príncipes vitoriosos: “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se Comigo no Meu trono, assim como também Eu venci e Me sentei com Meu Pai no Seu trono” (Ap.3:21). Aceitemos as misericórdias do Senhor a cada dia em nossa vida, e de infelizes e miseráveis, seremos felizes e vitoriosos. Vigiemos e oremos!  

Comentários Selecionados

Introdução. O Salmo 136 é conhecido entre os judeus como o grande Hallel. O refrão recorrente “porque a Sua misericórdia dura para sempre” sem dúvida era cantado como uma resposta pelos adoradores ou pelo coral do templo. CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 3, p. 1035.

Sua misericórdia dura para sempre. Literalmente, “para a eternidade, o Seu amor”. A palavra traduzida como “misericórdia” é chesed, que significa “amor divino”. O refrão é repetido em cada verso deste cântico. CBASD, vol. 3, p. 1035.

A palavra aqui traduzida “misericórdia” tem um significado mui profundo; é quase impossível traduzi-la adequadamente, porque descreve o âmago da natureza de Deus. É bondade, benignidade, amor, graça, favor, fidelidade e longanimidade. Só na pessoa de Jesus Cristo podemos compreender este amor persistente. Só pelo poder do Espírito Santo podemos deixar esta misericórdia crescer em nós (Gl 5:22-23). Bíblia Shedd.

10-25. A bondade de Deus é demonstrada quando Seu poder se emprega em atos de salvação. Bíblia Shedd.

11 Tirou a Israel. O faraó e os feitores estavam decididos a não permitir que os filhos de Israel deixassem sua servidão no Egito. No entanto, quando o Senhor planejou e prometeu libertar Seu povo, e Seu povo cooperou, não houve poder na terra que pudesse resistir-Lhe. Quando o orgulhoso monarca O deafiou e se recusou a cooperar, agiu para sua própria destruição. CBASD, vol. 3, p. 1035.

23-25 O povo que Deus resgatou pode confiar nEle para animar os abatidos, libertar os cativos e garantir o indispensável para satisfazer as necessidades diárias. […] O resumo disto se acha nestas palavras: “Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará com Ele todas as coisas?” (Rm 8.32). Bíblia Shedd.

23 Nosso abatimento. Israel foi humilhado com o cativeiro e a escravidão no Egito; no entanto, o Senhor não o esqueceu na angústia. É confortante saber que o Senhor não se esquece dos que caem em aflição, enfermidade ou pecado, mas envia auxílio e livramento. CBASD, vol. 3, p. 1035.