Reavivados por Sua Palavra | Salmos 126

 

Leitura da Bíblia


Um Capítulo por dia

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Pr. Michelson Borges

A alegria da salvação


“De fato, grandes coisas o Senhor fez por nós; por isso, estamos alegres.” Salmo 126:3

O Salmo 126 começa com a ideia de que o que Deus pode fazer por nós parece um sonho. Ele nos convida a olhar além deste mundo de pecado e a ansiar pelo dia em que estaremos em Sião, o lugar da presença de Deus, onde experimentaremos plenamente a liberdade espiritual e a redenção. Isso nos lembra de que nossa verdadeira pátria está no Céu, e devemos manter os olhos fixos na esperança da eternidade com Deus. Sim, parecerá um sonho o dia em que estivermos em “Sião”, livres deste mundo de pecado. Mas a verdade é que teremos acordado do pesadelo.

O verso 2 destaca como as pessoas notarão as maravilhas que Deus realizou em nossa vida quando virem a alegria da salvação refletida em nós. Nossa transformação espiritual é um testemunho vivo do poder de Deus e de Sua graça redentora. Quando vivemos com a alegria da salvação, somos uma luz para o mundo, atraindo outros para Deus.

“Coisas grandiosas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres” (v. 3). Essa afirmação nos lembra de que nossa fé não deve ser uma religião vazia e sem vida, mas uma fonte de alegria e gratidão. Se não estamos experimentando alegria em nossa relação com Deus, talvez seja hora de nos examinarmos e buscar um relacionamento mais profundo com Ele.

Quando nos sentimos espiritualmente secos, como um rio no deserto, o Salmo nos orienta a clamar ao Senhor por restauração. Ele é a fonte de água viva que pode saciar nossa sede espiritual e nos revigorar.

Por fim, o Salmo nos encoraja a continuar trabalhando para Deus, mesmo que seja entre lágrimas e dificuldades. Nosso esforço e fidelidade não são em vão. Um dia, veremos os resultados de nosso trabalho e nos alegraremos. Isso nos faz pensar na importância da perseverança na fé, mesmo quando enfrentamos desafios.

Promessa: Sente-se vazio como um rio seco no deserto? Clame a Deus para que Ele o restaure.

Comentário Blog Associação Geral

Quando os peregrinos viajavam para Jerusalém algumas de suas músicas eram “canções recordativas” – canções que recordavam a libertação efetuada por Deus a favor do Seu povo.

O Salmo nos diz que este ato de libertação do povo de Deus de volta para a terra prometida chamou a atenção das nações vizinhas. Até mesmo os descrentes deram crédito desta recuperação a Deus afirmando: “o Senhor fez grandes coisas por eles” (v. 2b).

Encontro grande conforto nessas palavras quando atravesso aqueles períodos da vida que parecem não fazer sentido. Versos como esses me mantém avançando e me dão esperança quando não vejo nenhum sinal da colheita, mesmo após ter dedicado tempo e energias plantando.

Recebo estes versos como uma maneira de Deus me dizer: “Você vai voltar para o lugar da minha abundância com louvor em seus lábios, com bênçãos em sua mão. E Meu nome será glorificado para sempre”.

Cindy Nash
Mãe, dona de casa e enfermeira
Collegedale, Tennessee, Estados Unidos

Reflexão - Heber Toth Armí

SALMO 126 – Relembrar com alegria os atos divinos no passado e dedicar-se à oração no presente garante-nos um futuro proeminente. Leia com atenção e oração o salmo em questão, depois prossiga nesta reflexão:

• O povo de Deus tem histórias interessantes para compartilhar (vs. 1-3).
Deus sempre operou em prol de Seu povo na história. Assim como Deus libertou Israel do cativeiro babilônico após 70 de exílio, o Israel neotestamentário foi liberto do cativeiro papal após 1260 de perseguição, inquisição e opressão. A história do remanescente fiel está marcada por terríveis desafios, exílios e martírios, mas Deus sempre concedeu vitórias impressionantes (ver Daniel 7:25; 12:7; II Tessalonicenses 2:1-10; Apocalipse 11:2; 12:6, 14).

• Apesar dos miraculosos atos divinos, o povo de Deus ainda enfrenta grandes desafios, por isso precisa clamar (v. 4).
Quando Israel volta do cativeiro percebe que Jerusalém está em ruínas, suas casas derribadas e suas terras cheias de cascalhos; então, se volta para Deus em oração esperando que opere também nesta situação. Desafios semelhantes acompanharam o remanescente dos dias mais recentes. Após 1798, milhares se envolveram num impactante reavivamento mundial, para, em seguida encontrar-se num imenso deserto de apatia espiritual (ver Apocalipse 2:1-3:22). A espiritualidade de muitos está seca como um deserto, mas devemos clamar pela chuva do Espírito para lavar nossa alma e produzir o fruto da conversão.

• O futuro para o povo de Deus só parecerá promissor após buscar ao Senhor em oração (vs. 5-6).
As expectativas positivas surgem apenas quando se busca a Deus com sinceridade de coração. Suas promessas não caducam, elas se adaptam a cada situação, tempo e lugar. Diante das crises econômicas, políticas, eclesiásticas, familiares, espirituais e missionárias podemos contar com a força e discernimento de Deus para saber como agir; então, com determinação em meio aos desafios, avançarmos confiante que Deus ajudará e recompensará (ver Mateus 24:4-44; 28:18-20; Apocalipse 13:1-14:13).
Os remanescentes do exílio babilônico que retornaram para Sião enfrentaram todo tipo de desafios (ver Neemias 1-6); entretanto, removeram os entulhos e reergueram a cidade de Jerusalém. O remanescente do tempo do fim, liberto da opressão papal, também precisa remover vários entulhos da tradição para alcançar vitórias.

• Quem clamar, confiará nas promessas divinas, e agirá com fé!

Mesmo com lágrimas, vamos avançar confiantemente buscando pelo reavivamento? – Heber Toth Armí.

 

Comentário Rosana Barros

Há uns anos passei por uma experiência muito triste com minha família. A nossa calopsita, que voava solta pelo apartamento, ficou presa na tela da janela e antes que conseguíssemos tirá-la, ela se esforçou para sair e acabou voando para a rua. Ficamos correndo de uma janela para a outra para ver se ela pousaria em algum lugar próximo. Mas ela voava de um lado para o outro até que voou mais longe e desapareceu. Enquanto meu filho chorava, tentava consolá-lo de que Deus estava cuidando do nosso bichinho e que se fosse da Sua vontade, Ele o traria de volta.

Não é fácil lidar com a perda, ainda que seja apenas de um animalzinho. A saudade dói e deixa marcas difíceis de serem esquecidas. “Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião” eles ficaram como quem sonha (v.1); ficaram boquiabertos com a provisão de Deus e grande foi a alegria deles; tão grande, que despertou a atenção das demais nações (v.2). As obras do Senhor no meio do Seu povo foram tão grandiosas (v.3) que os povos vizinhos não tiveram dúvidas de que eram verdadeiramente obras de Deus.

Mas os versos 5 e 6 trazem um conceito um tanto desanimador. Quer dizer que para colhermos a alegria precisamos semear com lágrimas? Para respondermos a esta pergunta, eu lhes faço uma segunda: É melhor entrar chorando e sair sorrindo, ou entrar sorrindo e sair chorando? Multidões têm se embriagado com o vinho e com o banquete de Babilônia em troca de curtos momentos de prazer. Literalmente, entram sorrindo e saem chorando. E a cada decepção encontram motivos para buscar ainda mais fundo na fonte errada a alegria que, desta forma, jamais encontrarão.

Contudo, para os que confiam no Senhor, aqueles versos não são desanimadores, mas motivadores. Para estes há consolo: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mt.5:4). Amados, Deus tem pressa em restaurar a nossa sorte. O que estamos fazendo com o privilégio de ainda estar debaixo da graça divina? Chorando e derramando lágrimas de arrependimento ou vivendo conformados com este mundo que está cada vez mais escuro? 

“Jesus chorou” (Jo.11:35) não é apenas o segundo menor verso da Bíblia, mas uma linda e grande prova de que assim como Ele chorou pela incredulidade do Seu povo, hoje, Ele derrama lágrimas de amor por cada um de nós. A vida de Jesus na Terra foi o maior exemplo de Alguém que semeou chorando, mas que colherá sorrindo. Pois “Ele verá o fruto do penoso trabalho de Sua alma e ficará satisfeito” (Is.53:11). O Céu está em expectativa para o cumprimento da maior promessa de Cristo: “…voltarei e vos levarei para Mim mesmo para que onde Eu estou, estejais vós também” (Jo.14:3).

Que você e eu façamos parte dos feixes de trigo que o Senhor em breve virá buscar. Então, Ele converterá o nosso pranto em júbilo e a nossa tristeza em alegria! Eu quero fazer parte da alegria final de Jesus. E você? Vigiemos e oremos!

Comentários Selecionados

Introdução. Qualquer que seja o cativeiro, o livramento gerou alegria exuberante. A experiência parecia muito boa para ser verdade. A segunda parte do salmo (v. 4-6) parece introduzir um tom de tristeza. Parece que as pessoas tinham se enredado novamente e pediam sua liberdade mais uma vez, ou estavam solicitando, depois do retorno à sua terra, a plena restauração de sua antiga condição. CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 3, p. 1024.

2. Entre as nações. As nações ao redor de Israel eram constantemente lembradas do poder de Deus em operar milagres a favor de Seu povo escolhido. O Senhor planejou tais demonstrações de poder como o meio de familiarizar os pagãos com o verdadeiro Deus: “para buscarem a Deus se, porventura, tateando, O possam achar” (At 17:27). CBASD, vol. 3, p. 1024.

Neguebe, Do heb negeb, a parte sul da Palestina, um árido deserto durante a maior parte do ano. Quando chegam as chuvas, e os ribeiros fluem, nova vida cobre o campo. Assim, o salmista ora para que Deus envie nova vida e vitalidade a Seu povo. CBASD, vol. 3, p. 1024.

Com lágrimas semeiam. Lágrimas de ansiedade e incerteza. O coração indaga se a semente foi lançada ao solo e se haverá colheita. CBASD, vol. 3, p. 1024.

Júbilo. Do heb. rinnah, frequentemente, “um grito de alegria”. … Quando chega a época da colheita, as lágrimas dão lugar a músicas jubilosas porque o Senhor abençoou o fruto do solo. CBASD, vol. 3, p. 1024.

Enquanto semeia. O obreiro evangélico encontrará conforto neste texto enquanto espalha a boa semente do evangelho, sem saber qual prosperará (ver PJ, 65). Se ele continuar semeando fielmente, poderá estar certo de que na devida estação conseguirá apresentar seus feixes nos pés do Mestre e ouvir a bênção: “Muito bem” (Mt 25:21, 23). CBASD, vol. 3, p. 1024.