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Comentários em Texto
Pr. Michelson Borges
De onde você é?
Comentário Blog Associação Geral
“Estou confinado e não posso escapar” (v.8).
Milhares de anos depois, o lamento desesperado de Hemã é ecoado por milhões que enfrentam tediosas semanas de confinamento em casa. Ricos e pobres, famosos e infames, homens e mulheres, todos sofrem nas mãos do Covid-19 indiscriminadamente insidioso.
O sofrimento aparece em uma variedade de tons. Pode ser o resultado de uma pandemia, perseguição, doença ou rejeição ou inúmeras outras formas de agonia. Independentemente da repetida nota, todos os que sofrem sofrem encarcerados pelo desespero e pelo sofrimento. Não há saída? Os olhos escurecem de tanto chorar; a força desaparece. Amigos e familiares freqüentemente abandonam o sofredor ou deixam de entender sua luta.
Corações esmagados clamam a Deus: Por que não me respondes? Por que estás se escondendo de mim? Em desespero desolado, imploramos que Deus se levante, responda e mostre Seu rosto. Presos na tristeza, ansiamos pela presença consoladora de Deus. Certamente, Seu amor pode nos libertar.
Olhos ofuscados pela tristeza geralmente deixam de perceber a presença de Deus. No entanto, emoções intensas não são um verdadeiro indicador da presença de Deus. Nossa falta de percepção nunca equivale à ausência de Deus.
Está você confinado pelo sofrimento? Não tema! Deus está eternamente presente. Seu amor nunca será colocado em quarentena.
Lori Engel
Capelã (atualmente com deficiências)
Eugene, Oregon EUA
Reflexão - Heber Toth Armí
SALMO 88 – Quando densas nuvens pairam sobre nossa face, impossibilitando que nossos olhos enxerguem qualquer luz no fim do túnel, nossa alma precisa derramar-se sinceramente perante Deus exalando angústia e pesar.
O salmo é “oração de um adorador em aflição profunda, que clama a Deus das profundezas de seus problemas… Pode ser que esta oração desesperada se origine de alguém com uma doença fatal, pois o humor revela depressão profunda” (Bíblia Andrews).
Sem mudanças, o salmo começa com tristeza e termina com notas fúnebres. Não há sinal de vitória, nem de esperança. O único ponto positivo é que a fé encontra forças na fraqueza e na tristeza para falar com Deus em meios às densas trevas da existência.
Segue o esboço deste texto inspirado: O salmista…
• clama a Deus em meio à tristeza (vs. 1-2);
• descreve sua situação deprimente (vs. 3-8);
• pede urgência no atendimento de sua oração (vs. 9-12);
• solicita compreensão da parte de Deus por sua situação (vs. 13-18).
Este Salmo é considerado o mais triste dos salmos. Ele “representa o fundo do poço do sofrimento humano. O salmista parece explorar todo o vocabulário da tristeza e da amargura com o intuito de descrever sua situação desesperadora, semelhante a de um paciente em estado terminal, isolado em alguma ala de hospital destinada aos incuráveis. É apenas questão de tempo até cobrirem seu rosto com um lençol e transportá-lo para o necrotério” (William MacDonald).
Lições:
• Mesmo nas situações mais negras, é possível elevar nossa alma a Deus através da oração.
• Ainda que estejamos no túnel sem fim, sem luz, podemos agarrar-nos ao Deus que habita em luz inacessível – a corda é a oração suplicante.
• Até quando alguém se sente abandonado por Deus, sofrendo ameaças de morte desde a infância, crendo ser alvo da ira divina, é possível encontrar conforto na presença do divino Consolador através da oração.
• Embora a melancolia, a tristeza e a fraqueza de espírito ofusquem nossa visão de Deus ou malogre nossa interpretação sobre Ele, todavia, é possível clamar a Ele em oração.
• Apesar das palavras serem negativas, pesadas, enfadonhas e tristes, elas revelam o que vai dentro d’alma; e, Deus aprecia a sinceridade de quem ora.
Sem lágrimas de tanto chorar e sem melhoras… ainda é possível orar. Reavivemo-nos! – Heber Toth Armí.
Comentário Rosana Barros
A maioria das pessoas têm a ideia de que os Salmos são poesias que transmitem tão somente palavras de conforto e de paz. Há verdade nisso se com ela não excluímos o fato de que eles também possuem teor profético e de que não exime a liberdade dada por Deus de permitir que a individualidade do escritor apareça nas Escrituras. No livro de Jó, por exemplo, encontramos discursos que exprimem os sentimentos e emoções de Jó pela força de sua experiência. O apóstolo Paulo, como doutor da Lei, não foi impedido de escrever “certas coisas difíceis de entender” (2Pe.3:16). Isso também não exclui e nem contradiz a verdade de que: “Toda a Escritura é inspirada por Deus” (2Tm.3:16).
No Salmo de hoje, o salmista expressou exatamente o que estava sentindo conforme a situação em que estava vivendo. Em uma lamentação sem a indicação de um final feliz, suas palavras se resumem em uma profunda tristeza que culminaria em morte, caso não houvesse uma intervenção divina. Ele declarou: “a minha vida já se abeira da morte” (v.3). Mas apesar de todo o seu sofrimento, ele não perdeu a fé de que há um Deus no Céu que ouve as orações dos aflitos: “Mas eu, Senhor, clamo a Ti por socorro, e antemanhã já se antecipa diante de Ti a minha oração” (v.13).
Talvez você esteja passando por um momento semelhante ao do salmista. Talvez você só tenha palavras de lamentação para oferecer a Deus. Contudo, assim como Hemã teve a sua lamentação escrita em registro sagrado, o Senhor não rejeita as suas palavras de sofrimento se elas provêm de um coração humilde e contrito. O que o salmista sentiu e o que você pode estar sentindo agora, Jesus também já sentiu e expressou o Seu sofrimento em palavras: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” (Mt.27:46).
Não confunda lamentação com murmuração. O murmurador não vai ao Senhor em busca de socorro, mas com espírito acusatório e desafiador. Entretanto, o fato de Deus ouvir as nossas lamentações não atesta uma vida constantemente atribulada. Jesus teve muitos motivos para andar entre os homens como Homem atribulado, mas, como o salmista, nas madrugadas depunha Suas aflições diante do Pai e retornava às multidões com espírito alegre e suave. Às vésperas de enfrentarmos um “tempo de angústia, qual nunca houve” (Dn.12:1), o hoje é o tempo que nos é dado como oportunidade de estreitarmos o nosso relacionamento com Deus. Apegue-se ao Senhor! Ele está voltando! Vigiemos e oremos!
