Reavivados por Sua Palavra | Jó 21

 

Leitura da Bíblia


Um Capítulo por dia

Convidamos você a ler 1 capítulo por dia da Bíblia. Esse hábito irá transformar nossas vidas!


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Comentários em Texto


Pr. Michelson Borges

  Mais palavras vazias


“Como, então, vocês querem me consolar com palavras vazias. Nas respostas de vocês só há falsidade.” Jó 21:34

Verso 2: como é bom quando nos escutam com atenção! Seja um ouvinte atento.

Verso 3: “Suportem-me enquanto eu estiver falando.” Este é um preceito bíblico: devemos nos suportar uns aos outros em amor.

Verso 7: Por que alguns ímpios vivem tanto e alcançam poder? Outros, como Habacuque, também questionaram isso.

Verso 7: Por que os ímpios prosperam? Parte da resposta é dada nos versos 17 e 18. A vida é passageira e termina logo.

Verso 15: “Que vantagem temos em orar a Deus?” Quem O busca de todo coração O encontra.

Verso 16: “[Fique] longe do conselho dos ímpios.”

Verso 19: os filhos não “pagam” a culpa dos pais. Cada um é responsável por suas escolhas.

Verso 34: “Como podem vocês consolar-me com esses absurdos?” Somente a Palavra de Deus consola.

Promessa: A tragédia e a desdita também se abatem sobre os ímpios. Mas a quem eles podem recorrer? Não têm a vantagem de orar. 


Comentário Blog Associação Geral

Jó sentiu a dor daquelas palavras sem piedade, e perguntou a seus amigos: “Como vocês podem me consolar com suas bobagens?” As palavras ferem.

“Seu teste será o seu testemunho. Seus problemas serão sua mensagem.”

Com essas palavras contundentes, meu colega capelão deixou o quarto do hospital, deixando-me ainda mais sozinha. A visita durou menos de 3 minutos. Hospitalizada por lesões neurológicas, eu precisava de presença sensível, não de clichês fáceis. Infelizmente, muitas vezes as palavras são lançadas contra os que sofrem. Mas a dor não é aliviada por considerações teológicas.

Desconfortáveis com o mistério do sofrimento, as pessoas tentam racionalizar a dor e a perda inexplicáveis. Uma declaração insidiosa é: “Deus não vai te dar mais do que você pode lidar”. Isso é simplesmente falso. Deus muitas vezes permite encargos muito mais pesados do que podemos suportar humanamente. Mas Ele prometeu que é nosso parceiro de jugo. A dor é mais do que você pode suportar, mas não mais do que Deus pode suportar.

Outras vezes, consoladores semelhantes aos de Jó despejam textos da Bíblia antes de ouvir corações ou oferecem banalidades em vez de presença. Eles tentam explicar o insondável, em vez de se assentarem com o sofredor, oferecendo uma presença tranquila, toque gentil e perguntas sensíveis que abrem corações doloridos.

A dor requer presença amorosa, não explicações lógicas.

Lori Engel
Capelã (atualmente com deficiências

Eugene, Oregon EUA 

Reflexão - Heber Toth Armí

JÓ 21 – Nem todos recebem o que merecem. Enquanto no capítulo anterior Zofar alega que as calamidades atingem aos que desprezam a Deus, neste capítulo, Jó apresenta um quadro diferente: Os perversos podem se dar bem na vida!

Jó se vê obrigado a responder diretamente a seus amigos. Jó não aguenta mais ouvir suas baboseiras teológicas ou suas falácias filosóficas.

1. O sofredor precisa ter tanto direito de falar como de ouvir seus conselheiros. Mesmo sabendo que será ridicularizado, quem está no leito de dor quer imitir suas opiniões. Jó apela para ser ouvido como um meio de obter um pouco de consolo de seus amigos (vs. 1-6).

2. O contra-argumento de alguém de mente mais aberta ataca diretamente os conceitos superficiais da religião e da fé. Jó questiona os argumentos de Zofar (20:11), Bildade (18:19) e Elifaz (5:17-27). Para Jó era evidente que os ímpios vivem bem, veem o desenvolvimento de sua família e o aumento de seus bens, mesmo blasfemando abertamente contra Deus ou rejeitando declaradamente à religião verdadeira (vs. 7-15).

3. A afirmação de uma verdade deve ser avaliada com a outra face da mesma moeda. Ouvir apenas uma versão da verdade, proferida por um indivíduo, é apegar-se no mínimo como se fosse o todo. Jó propõe que os ímpios não são castigados. Incrédulos têm vida longa e próspera. Se os filhos pagam pelos erros dos pais, os pais podem não estar pagando pelos seus erros – isso confronta o argumento de Zofar em 20:5 (vs. 16-21).

4. Avançando no raciocínio, o sábio amplia seus argumentos mostrando verdades impensadas por muitos questionadores do sofrimento. Jó relembra que tanto os bons quanto os maus morrem e vão para o mesmo lugar: a sepultura (vs. 21-26).

5. Teologias unilaterais são destruídas com argumentos sólidos da vida real. Jó mostra que seus amigos ignoraram muitas coisas simples, por isso despejaram sobre ele um montão de bobagens embrulhadas com sabedoria piedosa (vs. 27-34).

Nem todo sofrimento vem como castigo pelo pecado cometido. Nem toda prosperidade significa honestidade ou fidelidade a Deus. Com estes argumentos, fica claro que os…

• …ateus podem viver externamente em paz;
• …incrédulos podem prosperar;
• …pagãos podem viver bastante;
• …maus podem se dar bem…

E você, em que acredita? Aprofunde tuas convicções… Estude Jó! – Heber Toth Armí. 


Comentário Rosana Barros

Nenhum dos argumentos trazidos pelos amigos de Jó conseguia persuadi-lo a acreditar que falavam sem malícia. “Vede que conheço os vossos pensamentos e os injustos desígnios com que me tratais” (v.27), não significa que Jó pudesse ler pensamentos, mas que as palavras e ações de seus amigos deixavam bem claro quais eram as suas reais intenções. Jó só desejava ser ouvido de forma atenciosa (v.2) e que a sua condição fosse vista com misericórdia (v.5). O estado próspero dos ímpios não era um motivo para que ele desconfiasse dos desígnios de Deus, pois ele mesmo afirmou: “longe de mim o conselho dos perversos” (v.16). Mas o mistério sobre o seu sofrimento era o que lhe afligia.

O fato é que havia um nítido conforto na vida dos ímpios. Vistas de fora, suas vidas pareciam tranquilas e prósperas. Ainda assim, Jó não admitia ser comparado a qualquer deles, pois não temiam a Deus nem tampouco Lhe faziam orações (v.15). Jó ridicularizou a crença de seus amigos de que “Deus… guarda a iniquidade do perverso para seus filhos” (v.19). A morte de seus filhos constantemente lhe foi lançada no rosto como consequência de sua iniquidade, e seu estado físico e econômico como resultado direto de seus pecados. Mesmo sem entender a prosperidade do perverso, Jó sabia que era uma questão de tempo, que não passava de uma prosperidade terrena e passageira.

Amados, o contentamento motivado pela prosperidade material desmorona na primeira dificuldade. A alegria do Senhor, porém, nos dota de força mesmo em meio à adversidade. Precisamos, como Jó, nos apoiar na “vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo.5:4), e não em palavras humanas falíveis. Não sejamos néscios, rejeitando conhecer os caminhos de Deus contidos em Sua Palavra. Para os que direta ou indiretamente dizem: “Retira-Te de nós!” (v.14), ouvirão de Quem desdenharam: — Fiquem longe de Mim, vocês que não andaram em Meus caminhos! (Mt.7:23). A prosperidade não define o caráter. Mas um caráter, que mesmo provado pelo fogo, permanece “íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal” (Jó 1:7), define para onde estamos indo: para “a santa cidade, Jerusalém” (Ap.21:10).

Podemos resumir as palavras de Jó na conclusão de Asafe: “Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl.73:26). Seja esta a nossa confiança e a nossa esperança todos os dias de nossa vida. Vigiemos e oremos! 


Comentários Selecionados

 Na sua defesa, Jó, sendo cada vez mais encorajado, aponta sem hesitação as falácias da posição dos seus amigos. Os caminhos de Deus são inescrutáveis para Jó, e devem ser também para seus amigos, pois a teoria de punições e galardões imediatos na terra é uma maneira simplista de se reduzir a providência divina a um mecanismo (Bíblia Shedd).

1. Respondeu, porém, Jó. Aqui tem início o terceiro ciclo de discursos (Jó 21-31), composto por três de Jó, um de Elifaz e um de Bildade. Zofar não participa deste ciclo (CBASD, vol. 3, p. 622).

consolação. Jó aqui busca consolação no privilégio de ser ouvido. Frequentemente a pessoa ferida é mais beneficiada quando alguém a ouve do que quando alguém lhe fala (CBASD, vol. 3, p. 622).

tolerai-me. Isto é, “permitam-me falar” (CBASD, vol. 3, p. 622).

é do homem que eu me queixo? Jó deixa implícito que se queixa de algo cuja causa é sobrenatural (CBASD, vol. 3, p. 622).

pasmai. Jó está prestes a defender a ideia de que os ímpios têm vida longa, tranquila e próspera. Sabendo que essa ideia revolucionária despertará horror e indignação em seus ouvintes, ele os prepara para o choque (CBASD, vol. 3, p. 622).

como é […]? O verso anterior revela que Jó não faz a pergunta meramente a título de argumentação. Ele está genuinamente preocupado. Já observou o sucesso e a prosperidade dos ímpios. Diferentemente de seus amigos, está disposto a admitir este estranho fenômeno. Mas, embora o reconheça, acha difícil aceitá-lo. Jó não é a única pessoa que buscou respostas para esta intrigante pergunta (CBASD, vol. 3, p. 622).

envelhecem. Zofar afirmou que o triunfo dos ímpios era curto (Jó 20:5). Com mais discernimento, Jó vê que a prosperidade dos ímpios pode continuar ao longo de toda a vida deles (CBASD, vol. 3, p. 622).

7-13 Em palavras duras, Jó descreve a duradoura prosperidade do lar dos ímpios, da sua família, dos seus campos e dos seus rebanhos; e no fim dos seus dias descem tranquilamente à sepultura (Bíblia Shedd).

seus filhos se estabelecem. Os amigos de Jó afirmaram que os filhos dos ímpios não sobreviveriam (Jó 18:19). Jó questiona essa posição (CBASD, vol. 3, p. 622).

9 Jó, a esta altura, nega aquilo que lhe foi ensinado por Elifaz (15.28), Zofar (20.28) e Bildade (18.14). Assim faz, não para obter um triunfo de dialética na argumentação, mas porque está sinceramente procurando uma solução para um problema moral que o angustia, cf v 6 (Bíblia Shedd).

11 seus filhos saltam de alegria. Um quadro de despreocupada felicidade e prosperidade (CBASD, vol. 3, p. 623).

13 em paz. Os ímpios têm vida próspera e livre de cuidados e morrem sem sofrimento e sem doença prolongada. Não se deve entender que Jó estivesse afirmando ser sempre esta a experiência dos ímpios, mas ele havia observado o suficiente na vida para saber que isto ocorria com frequência. Esta imagem da vida está em completo desacordo com a dos amigos, que apresentavam os ímpios como pessoas invariavelmente atormentadas por sua consciência (Jó 15:20), que ficavam sem filhos (18:19) e sofriam morte trágica (20:24) (CBASD, vol. 3, p. 623).

14 retira-Te de nós. Estas declarações expressam a filosofia dos infiéis ao longo de todos os séculos. Os autossuficientes não sentem necessidade de Deus, não desejam conhecer os caminhos de Deus e não reconhecem a autoridade do Todo-Poderoso. Não estão interessados em nada que não prometa benefício imediato para si mesmos (CBASD, vol. 3, p. 623).

16 longe de mim o conselho dos perversos. Jó não quer que sua descrição atraente, sobre a sorte dos ímpios na terra, seja considerada como um desejo de tomar seu [dos impios] partido. (Bíblia Shedd).

17 Jó solicita as provas que sustentem a doutrina de Bildade, “a luz dos perversos se apagará” (18.5), e de Zofar (20.23) (Bíblia Shedd).

19 é a ele que Deus deveria dar o pago. Jó deseja que os próprios pecadores, e não seus filhos, sintam o impacto de seus atos ímpios (CBASD, vol. 3, p. 623).

20 seus próprios olhos. Este verso dá sequência ao pensamento do anterior. Jó observou que os pecadores morrem na prosperidade e em aparente bem-estar, mas ele gostaria que não fosse assim. Ele desejaria que seus amigos estivessem certos em sua insistência de que o ímpio recebe a recompensa nesta vida, mas a experiência lhe ensinou que eles não estão corretos em seu ponto de vista (CBASD, vol. 3, p. 623).

22 De súbito, Jó acusa os amigos de presunção, ao elaborarem teorias simplistas acerca do governo de Deus. Ao fazê-lo, estão praticamente ensinando a Deus como deveria governar os homens, em vez de encararem os fatos como se apresentam em toda a sua realidade (Bíblia Shedd).

23 um morre. Novamente Jó enfatiza que não há norma confiável pela qual explicar o sofrimento ou a ausência dele na vida de alguém (CBASD, vol. 3, p. 624).

24-34 Jó não achou sabedoria nem consolo nos conselhos dos seus amigos, pois falaram em generalidades e, por conveniência, ignoram os exemplos que desmentem suas teorias (v 29 – 30) (Bíblia Shedd).

25 na amargura. Em contraste com a prosperidade de alguns, outros morrem em amargura após uma vida de miséria. Jó não tenta explicar esta anomalia da vida (CBASD, vol. 3, p. 624).

27 conheço os […] injustos desígnios. Jó tem consciência de que seus amigos o consideram muito ímpio. Ele sabe que não tem a compaixão deles (CBASD, vol. 3, p. 624).

29 os que viajam. Jó pede aos amigos que perguntem aos viajantes, que já observaram pessoas em diferentes países, se eles não concordam com ele. Jó estava certo de que a observação desses homens revelaria que muitas pessoas boas sofrem e que pessoas ímpias prosperam (CBASD, vol. 3, p. 624).

É poupado. A frase aqui parece significar que os ímpios são poupados das angústias da vida presente em vista do juízo vindouro, quando receberão seu castigo. Esta observação está em harmonia com a declaração de Pedro (2Pe 2:9) (CBASD, vol. 3, p. 624).

31 quem lhe lançará em rosto […]? Enquanto o ímpio tem poder, ninguém ousa condená-lo abertamente ou puni-lo por sua impiedade (CBASD, vol. 3, p. 624).

32 finalmente é levado. A ideia parece ser de que os ímpio morre em plena honra e é levado em cortejo para sua sepultura (CBASD, vol. 3, p. 624).

33 torrões do vale. “Torrões” representam a terra jogada sobre o caixão. Figura de linguagem poética para uma morte tranquila.

34 Como, pois, me consolais em vão? “A filosofia de vocês está errada”, diz Jó a seus amigos. “A ideia de vocês sobre a retribuição divina nesta vida não é comprovada pelos fatos da experiência humana. Não há consolo no que vocês dizem, porque não falam a verdade.” Este capítulo pode ser chamado de o triunfo de Jó sobre seus oponentes. Ele não está irritado como a princípio. Suas declarações são menos pessoais e mais profundas. Este discurso é marcado pelo fervor, pela confiança e pela reverência (CBASD, vol. 3, p. 624, 625).


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