Que a moderação de vocês seja conhecida por todos. Perto está o Senhor. Filipenses 4:5
“Quanto tempo mais isso vai durar? Você poderia dizer para Deus que já
sofremos o bastante e que Jesus já pode voltar?” O rosto da mulher
estava escondido – mas não a dor em sua voz – enquanto falava sobre a crise
econômica e política de seu país.
Como muitos libaneses, ela tinha familiares que haviam fugido do país
anos antes em busca de uma vida melhor. No entanto, escolhera permanecer em sua terra. Trabalhava como professora, mas havia reduzido as aulas
a dois meses por ano, pois isso era o máximo que podia aguentar, devido à
crise econômica.
“Sinto-me só”, desabafou. Depois, olhando-me nos olhos, acrescentou:
“Você sabe como é. Nós, mulheres, precisamos de companhia.” Ela tinha
razão. Talvez fosse por isso que havia me convidado para acompanhá-la na
visita pastoral daquela noite. Instintivamente, ela soube que haveria uma
conexão entre nós duas.
Compartilhamos uma deliciosa refeição. Depois de ler alguns versos que
fazem referência aos sinais da segunda vinda de Jesus, os pastores oraram,
e chegou o momento de voltar para casa. Nós lhe fizemos um convite para
que viesse nos visitar e partimos. Enquanto nos afastávamos, ela ficou no
alpendre pouco iluminado da casa, de onde acenava. Adentramo-nos na escuridão, deixando-a em pé, em silêncio, sozinha. Quando chegamos à nossa
casa, disse a meu esposo que queria visitá-la novamente.
Fui para o Líbano em 2016, empolgada por embarcar em minha aventura
missionária no Serviço Voluntário Adventista. No entanto, a aventura da lua de
mel mudara drasticamente, e minha vida passou a estar severamente restrita
pela pandemia e pela crise econômica do país. Eu tinha perdido minha paixão
pela obra missionária. Havia me desgastado muito, a ponto de me sentir tão
aflita que até ir ao supermercado era um enorme sacrifício.
Foi então que conheci aquela mulher tão querida. Durante nossa breve
visita, lembrei-me uma vez mais de que tenho um propósito na vida: amar e
cuidar dos outros o máximo possível. Devemos animar uns aos outros com
a esperança, pois, como expressou meu esposo tão acertadamente, “conhecemos o final da história”. Jesus em breve vai voltar, e toda nossa dor terá
fim. Essa é uma ótima notícia, e devemos anunciá-la aos outros!